Juca de Oliveira morreu aos 91 anos, nesta madrugada de sábado (21), em decorrência de pneumonia e problemas cardiológicos, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Na última segunda-feira (16), já internado havia três dias, o dramaturgo fez aniversário e seu estado de saúde já era considerado delicado.
Restrito à família e amigos, o velório foi aberto no meio da tarde, enquanto o sepultamento ocorreu no final da manhã de domingo (22) no cemitério do Araçá. Paulista de São Roque, interior do estado, Juca trabalhou em diversas emissoras, como Band, SBT - onde estrelou em 1994 "As Pupilas do Sr. Reitor" - e Globo - onde foi o dr. Albieri de "O Clone" (2001) e o professor Praxedes de "Fera Ferida" (1993, tendo sido dirigido por Dennis Carvalho, morto no fim de fevereiro).
Bem antes desses papéis, em 1969, protagonizou na TV Tupi a clássica "Nino, o Italianinho". O último trabalho de Juca de Oliveira na TV foi em 2017 como o dr. Natanael de "O Outro Lado do Paraíso". O artista deixa viúva - Maria Luisa de Faro Santos - e uma única filha, Isabella, a quem homenageou com peça de teatro.
Antes de abraçar a carreira artística, que o acompanhou por 60 anos, Juca de Oliveira trabalhou com o pai no cuidado com burros, foi sapateiro, marceneiro e em farmácias chegou a aplicar injeções. Antes dos 20 anos, o ator e autor já havia se mudado para a capital paulista. Ao realizar vários testes vocacionais, uma psicóloga lhe orientou a fazer Teatro ou Direito paralelamente à natação, atividade que fora deixada de lado.
Ao longo dos anos, Juca de Oliveira escreveu inúmeras peças teatrais que conquistariam o público (entre elas, 'Baixa-sociedade", "Motel Paradiso" e "Meno Male"), se filiou ao Partido Comunista Brasileiro, exilou-se na Bolívia durante o Regime Militar, integrou o Teatro de Arena, foi presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos de São Paulo, teve conturbada relação com o pai, contrário à sua decisão de ser ator, e homenageou a filha, Isabela, com o clássico dos palcos "Qualquer Gato Vira-lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa".
Proprietário de uma fazenda no interior de São Paulo, para onde se mudara no começo dos anos 2000, criava no local de capivaras a cavalos, passando por veados.
Juca estreara na TV em 1960 com "O Drama dos Humildes", na TV Tupi, onde trabalhou até 1972. Um ano depois, estreou na Globo com "O Semideus" e atuou em episódios do "Caso Especial", ao longo dos anos 1970. Em 1976, no original de "Saramandaia", seu personagem, João Gibão, protagonizou cena clássica ao sair voando no último capítulo, uma metáfora à época da censura.
Após um período longe das novelas fez o remake de "Os Ossos do Barão" (1997, SBT), esteve em "Vidas Cruzadas" (2000, Record), e integrou os elencos de minisséries como "Mad Maria" (2005) e "Amazônia" (2007), ambas na Globo. Outro papel de destaque viria como o Samuel Schneider de "Flor do Caribe" (2013).
Já no cinema, fez "Bufo & Spallanzani" (2001, que lhe rendeu o prêmio do Festival de Gramado) e "O Caso dos Irmãos Naves" (1967). Conquistou ainda o troféu de Melhor Ator da APCA em 1973 e em duas ocasiões o Troféu Imprensa.